Eu nunca pude te sentir de perto...
Eu não sei a temperatura que tem o seu corpo, mas eu sei que de algum modo, eu te toquei... (sem precisar das mãos pra isso)...

E mesmo que o tempo transforme tudo em lembranças e o vento leve essas memórias e as espalhe por aí e a gente nunca mais consiga juntar tudo... eu sei que de um jeito ou de outro, alguma coisa vai sempre existir, nem que seja a nossa vontade de termos sido "reais"... (palpáveis...)

E talvez nos reste uma saudade boa do que planejamos ser...

Agora eu olho para esse mundo de luzes... e eu penso na leveza que há em nós... nos planos que  a gente desenhava pensando em um dia colorir juntas...

Lembrei daqueles nomes esquisitos que você sugeriu para nossos filhos e que eu contestava,  mas nós sabemos que no fim das contas, seria você quem escolheria...

Lembrei de ter lhe prometido um balanço para você ler seus livros no meio do jardim da casa que eu imaginei para nós... eu queria ter plantado cada rosa...

Lembrei que eu iria te pedir em casamento quando fôssemos viajar para conhecer a aurora boreal... (e agora nem é mais "segredo"... de modo que para qualquer "eventualidade", terei que pensar em algo novo...)

Eu queria achar o pedacinho do caminho em que a estrada se bifurcou e cada uma foi para um lado, o lugar/momento em que sua mão soltou a minha... pq de algum modo, os meus dedos ainda têm seu cheiro e eu queria te abraçar com todo o amor do mundo...

Eu ainda penso em você...
fecho os olhos e te vejo sentada em um balanço bem no meio do tal jardim (de rosas que eu pensei em plantar), tomando seu café e lendo um livro, vestindo um daqueles seus pijamas engraçados e sorrindo... e por um momento, eu que há muito perdi a fé, quase creio no paraíso...

-Jan

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